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| Villa la Angostura - Porto Alegre: 2 822 km Fim da Viagem 13/04/2009 às 18:58:18 postado por Jefferson Gonzalez TRECHO 1 : VILLA LA ANGOSTURA - GENERAL ACHA : 980 KM Para esta viagem minha tarefa estava cumprida, só me restava voltar pra casa. Tinha pela frente quase 3000 km que queria vencê-los em 3 dias. Minha programação era : Partir logo cedo de Villa la Angostura, mas não o suficiente para pegar alguma "helada" na estrada, já começaram a cair e é um dos maiores perigos pelo caminho. Uma capa de gelo se cria com o orvalho da noite nas estradas se houve uma temperatura abaixo de zero durante a noite. Por isso o ideal é esperar que suba um pouco a temperatura pela manhã. Naquele dia estava "calor" , a temperatura era maior que 6 graus e a possibilidade de gelo na estrada era pequena. Parecia que viria outro lindo dia de sol, e assim foi. A saída de Villa la Angostura é serpenteando os Andes e o Lago Nahuel Huapi, uma das estradas mais lindas da patagonia. Cruza-se pelo Vale Encantado , com formações rochosas bem interessantes. Minha primeira parada seria em Piedra del Águila, 295 km depois. Este trajeto é bem sinuoso e deve-se ter bastante cautela. É um lugar que acontecem muitos acidentes. Em Piedra del Águila tem um posto YPF, que são os mais baratos da região, que deve-se abastecer o carro e tem loja de conveniência, mas eu prefiro colocar combustível alí e ir comer no posto BR- velho conhecido, mas que tem a gasolina mais cara da patagonia. Tem um comedor alí que tem uns sanduíches bárbaros, enormes e bem saborosos. Comí um deles e parti para mais 385 km até el Cruce del Desierto, onde faria uma parada para abastecer antes de entrar na Ruta del Desierto. Esta é como a Ruta 40, não tem absolutamente nada e é uma reta de 300 km que da tanto sono que existem várias placas de advertência para o motorista parar e descansar. Cheguei de noite em General Acha com os olhos ardendo de tanto prestar atenção na estrada, já que os bichos que são como uma galinha magra não paravam de cruzar a ruta, e mais os faróis que estavam me molestando bastante aquela hora da noite. O cansaço de um só motorista fica evidente nestes trechos longos. Gosto de dormir no Hotel Traful, bem simples mas honesto e agora com wi fi - e que funciona, ufa. ( $ 85 ). Creio que o mais barato da viagem. Neste dia fui comer num restaurante de indicação da dona do hotel , mas não recomendo, prefiro o velho restaurante tradicional do posto que está na entrada da cidade que se come um bom bife de chorizo do pampa argentino. TRECHO 2 : GENERAL ACHA - COLÓN : 946 km Era domingo de páscoa e queria fugir do movimento de volta do feriado a Buenos Aires. Resolvi ir por outro caminho do que costumo ir sempre. Normalmente vou até a capital portenha e daí tomo o buquebus ( ferryboat ) e cruzo o rio da prata até Colonia de Sacramento no Uruguai e vou por chuí até Porto Alegre. Desta vez decidi ir até Colón na fronteira da Argentina com o Uruguai e cruzando o pequeno país chegaria até Rivera, que faz fronteira com Santana do Livramento, já no Brasil. Logo após cruzar a Ponte do Rio Paraná fui atacado pelos famosos guardas argentinos da província de Entre Rios, tá certo que passei a 110 km/h por um pequeno trecho em que deveria estar 60 km/h . Vi o policial com um radar na mão mas nem esquentei a cabeça, achei que iria tirar uma foto e que a multa nunca me chegaria no Brasil. Quando olhei pra frente quase tive um choque. Tinha um policial no meio da estrada desesperado tentando me sinalizar para parar o veículo. Eu estava bem distraído e quase passo por cima da criatura. Não preciso dizer onde fui parar não é....na sala do oficial e já com a mão no bolso me preparei pra facada....de U$ 220 dólares acabamos em R$ 100... Este trecho estava infernal, milhares de veículos retornavam do feriado e ultrapassavam os outros veículos da fila, e vinham diretamente de frente para os poucos que subiam em direção norte. Foi muito tenso, um dos piores de toda a viagem. Chegando a Colón já noite, depois de mais de 940 km , ainda tive um tempo para sair a comer algo e "participar" da festa que havia pela comemoração do aniversário da cidade que era exatamente naquele dia 12 de março de 2009. Dormi no Hotel Palmar ( $ 140 ), honesto e tem até uma bela piscina. Colón é um balneário pra eles e tem uma onda tipo "praia". TRECHO FINAL : COLÓN - PORTO ALEGRE 825 KM Era o último dia de viagem, e já estava um "pouco" cansado. Queria muito chegar e logo cedo parti para cruzar a ponte entre os países hermanos. Logo após cruzar tem um pedágio e chega-se até a demorada fronteira. Revistaram bem o carro, até embaixo dos bancos, e depois de um longo tempo comecei a cortar o Uruguai pela metade para chegar até Rivera. Onde daria uma passadinha pelos free shops e veria se tinha algo interessante. Este trecho é realizado em meio aos belos campos uruguaios. Pode-se ver bem a vida dos gauchos criadores de gado com seus cavalos direcionando os rebanhos - muitos vão parar na mesa dos brasileiros. Passei por Rivera, e desta vez o bichinho das compras me pegou. Foram algumas garrafas de vinho - com preços bem interessantes pra qualidade dos mesmos, alguns ítens de comida que não se encontra por aqui e uns presentinhos pra turma. Abastecí em Santana do Livramento, que no Uruguai a gasolina consegue ser mais cara que a nossa e a próxima parada seria na garagem de casa. Fez-se noite e a minha alegria foi imensa ao ver as luzes da capital gaúcha, mas ao mesmo tempo sentí uma pequena nostalgia daqueles momentos que ficarão gravados na memória para sempre. Quanto mais experimento a Patagonia mais me enamoro dela ... Gracias y hasta la vista ... RESUMO E INFORMAÇÕES GERAIS: Viajantes: Jefferson Gonzalez ( 1 ) Veículo : Land Rover Discovery 2004 mas vi até Uninho na estrada...uma camionete é bem melhor mas da pra encarar com qualquer carro em bom estado...não é uma afirmação...é uma possibilidade...há muitas variáveis...só digo uma coisa : eu não seria o mesmo hoje sem piloto automático - pra patagonia é o seu melhor amigo no caso de estar sozinho para pilotar. A tração integral é bárbara para o rípio. Gps: Atlas de Rutas 2005 com folhas caindo...mas quebrou o galho...mas é melhor com gps, principalmente quem vai sozinho, é difícil dirigir e olhar mapa ao mesmo tempo. Km percorridos: 12 155 Pneus furados: nenhum, mas chegaram em estado de miséria. Problemas técnicos: faróis acesos esquecidos ocasionando falta de bateria ( é bom trazer cabo para ponte de bateria ). Luzes no painel acusando problemas nos freios, mas provavelmente só um sensor, freios funcionaram normal. Países : Argentina, Chile , Uruguai e Brasil Quantidade de dias : 33 Período: De 12 de março de 2009 até 13 de abril de 2009. Não aconselho fazer esta viagem em janeiro - altíssima temporada, muita gente nos lugares e tudo muito mais caro. Acho que os meses ideais são dezembro, a partir da segunda quinzena de fevereiro até fim de março. Na Patagonia Austral vários hotéis fecham desde abril até setembro. Gastos com combustível : R$ 3.128,00 Gastos com Hospedagem: Não posso afirmar porque muitas das noites fui convidado e não tive que meter a mão no bolso, mas se tivesse que colocar uma média seria uns U$ 70 por noite em hotéis 3 estrelas - em baixa temporada . Em lugares mais salgados como Ushuaia , Calafate e Torres del Paine um pouco ou muito mais. Gastos com alimentação : Se tinha vontade de ser rápido e não gastar muito comia empanada ou sanduíche - principalmente na estrada . A noite tratava de ir em um restaurante recomendado da cidade. Vou chutar um valor médio para duas pessoas - tudo depende do lugar mas diria....uns U$ 35 por casal por refeição em restaurante normal. Comentário final : Há mais fantasmas e perigos em nossa cabeça do que em qualquer canto solitário deste espetacular lugar conhecido como Patagonia...imensa, inóspita e quase intocada pela devastação do homem é um dos lugares mais impressionantes do todo o planeta...isso dito por muita gente que há visitado todos os reconditos da Terra ...alí viví uma experiência tocante...o silêncio trazia paz e me fazia pensar como poderia haver guerra em alguns lugares naquele instante...olhando horizontes recortados por picos nevados e lagos de transparência sem igual...visitando glaciares em crescimento e alguns em forte declínio...o som das gretas rugindo depois de milhares de anos de acumulo de neve e gelo...animais cruzando a frente do carro como se nunca tivesse visto um...quem sabe até não tinha mesmo...pessoas simples, sem fortunas, mas com uma afeição e boa vontade que já não vemos por aí...um total encontro com a mãe Natureza, que esculpiu por aqui as mais belas artes que já pude vislumbrar... 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